Decodificando...Por Anderson Mattos


15/07/2008


S.e.N.t.I.r

 

 

 

 

 

         Eu estava ali. Meu corpo era frio e minha sentimentalidade densa, sabia que aquela era a forma que eu encontrava de despir aos poucos os personagens que construí no caminho. E penso, e sinto, e procuro uma inexplicável experiência capaz de decifrar tudo isso.  

N-O-I-T-E

         Éramos aglutinados por um conceito de formas e gestos que nos fazia transmutar em muitos sonhos que vez ou outra permeava nossos desejos. Ele tomava café, eu chá. Depois a gente trepava feito dois animais insaciáveis, eu era capaz de digitar todos os códigos do corpo dele, e ele desenhava meu corpo como quem rascunha uma obra de arte com eixo entre o toque de seus dedos e a suavidade de seus lábios.  E eu deixava de lado meu ser errante e covarde, observava minhas fraquezas através de um espelho com foco nos nossos sentidos, esse era o jeito que ele encontrava de mostrar minhas fragilidades, fixando um olhar puro e sacana como quem quer decifrar o sentimento alheio. Eu fugia, fugia, fugia... Depois existia uma sensação de alívio, de limpeza.

         Eu deitava. Ele achava graça. Eu fumava. Ele sussurrava em meu ouvido direito cantigas puras, como quem estivesse fazendo uma prece.  E isso me dói. Porque de um jeito ou de outro desperta em mim algo que transcende a capacidade de amor, ou de paixão que existe aqui dentro.. Ele sabe disso. Eu sei disso... E tenho medo. Sinto minha cabeça rodar, e tudo escurece, e ele continua cantando. {O relógio fez TIC – TAC}... E mais calmo, sem alterar qualquer palavra, consigo enfim enxergar a beleza radiante que existe aqui dentro.

S-E-N-T-I-M-E-N-T-O

         Seja – por- vez- mais – que – uma –metáfora- as – formas – de- amor.

        

D-I-A

         Único. O que não foi feito hoje não será feito igual amanhã. Existe algo dentro de você que se renova todo dia. Não adianta fazer o trabalho de hoje depois. Dever de casa com o coração é um risco. Pobre daquele que vive em intenso desconecto.Sentimento não é máquina, é órgão (n-a-s-c-e - f-l-o-r-e-s-c-e) e m-o-r-r-e quando não cultivado. Ou (t-r-a-n-s-f-o-r-m-a) quando regado como quem cuida de um jardim florido.

         O relógio do tempo não para, mas uma oportunidade perdida pode refletir num arrependimento que nos acompanha por toda eternidade.

         Tenha sorte de S-E-N-T-I-R

 Inverno de 2008, estação do amor

Escrito por Anderson Mattos às 01h58
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20/02/2008


CoNsTeLaÇãO

     

 

Sente-se. Revele todas as suas aflições. Me encontre ao olhar pro lado, estamos tão pertos. Tudo bem com você? Estás angustiado? Como foi seu dia? Aonde você mora? Em qual parte te encontrar? Andei pensando tanto em você, sou seu amigo, sou sua estrela! Confie em mim, estou aqui pra te ajudar. Ontem chovia tanto, imaginei que estivesse aflito com alguma coisa, é verão, e você chorou tanto! Perguntei por todo canto por ti, a lua me indicou a trilha por onde tu circulavas. Fiquei pensando que lá em baixo tem alguém muito especial que precisa da sua ajuda, e está sofrendo não é? Vem, desabafa! Eu não tenho muita coisa, moramos na mesma casa e por isso é  obrigação abrigar-te à mim como único e absoluto no mundo! Tenho tanto pra te falar, preciso tanto te ouvir!  Abraça-me, o sol chegará daqui a pouco, e teremos que descansar. Mas antes disso me beije, me conta suas angústias, partilha-me seus conflitos! Que constelação bonita essa família que nos forma. Aqui nosso alimento é outro, nossas esquinas não tem muros! Não tenhas medo, eu te amo tanto! Saiba, não há barreira que destrua as estrelas que se formam como elo do destino. Construa sua casa, transforme essa realidade, batalhe pelos seus valores e acredite de uma vez por todas que as pessoas que te amam de verdade conversam, e te visitam todas as noites do ano. Porque não há nada capaz de separar as estrelas que nascem pra se completar! Você é absurdamente sereno, e exageradamente especial. Visitei em pensamento o coração da pessoa que está sofrendo, e ela mandou a resposta em segredo pra ti. É um comunicado transformador, disse pra você chorar sempre que nela pensar nas noites de inverno, sorrir nas noites de verão, fazer ventar no outono, e regar o jardim no inverno. Pense que esta é a receita que forma o bolo de amor que existe entre o destino, as estrelas, e o coração!

Escrito por Anderson Matos numa noite de verão de 2008 ao observar as estrelas

 

Escrito por Anderson Mattos às 01h00
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11/02/2007


SoBrE uM AnJo...

silencio.tif (43003 bytes)

                 

Delimitação dos direitos? E a justiça?
        
Pensar que tudo será resolvido já não pode ser uma questão de esperança, estamos na era da submissão. Não somos nada, não temos nada, e se pensamos em justiça social com o tempo só tiramos nossas conclusões de que o sistema é tomado pela máfia do tráfico, pelo abandono dos governantes, e acima de tudo pela vergonha de estarmos num período no qual o coração não é mais aquele aparelho responsável por acelerar e fornecer a cada ser humano sentimentos de amor, de sede esperançosa de que com garra, amor e determinação mudaremos o mundo...Não! Não mudaremos! O sistema mudou, está tudo dominado. Morrer é fácil, viver impossível!
            O menino morreu, muitos corações morreram, a esperança morreu também! Pra onde iremos? O que seremos? O que faremos meu Deus?
            Tudo triste, as ruas, os bairros, a vida. O povo chora logo Deus triste se cala! Os anjos já não dizem amém, e nós? Vamos morrendo aos poucos! Paz e bem, porque o amor ainda é maior! -Texto Anderson Mattos

 

Escrito por Anderson Mattos às 21h33
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15/11/2006


CíRcUlo De PeNsAmEnTo...

 

 

 

 

- Moço me ver um café?

- Boa noite! Um tridente, por favor?

Nesse exato momento eu sento ao seu lado.

- Quer um pedaço?

- Aceita um gole, antes que esfria?

Nesses lugares onde a solidão tem vez, eu sempre percebo que há uma concentração grande de sentimentos que se mistura e não diz o que a deveria exprimir. Circulo por caminhos que me levam a entender, o universo tão só que há dentro de nós. Eu sei que você é tão insuficiente, tão capaz, e tão melindroso quanto eu! Há de haver algum sentindo em nós que basta?

Para que serve esse silêncio que nos cerca se toda vez que abro a boca, é só mistério, mistério e gestos que circulam misteriosamente pelos meus lábios?

- Todo dia eu te vejo em pensamento. Quantos aos sonhos... Pudera eu poder fazer dos meus passos, círculos que se transformam em Universos, só para ter em algum momento da noite o prazer de estar sentindo a sua respiração.

- Os caminhos são árduos. Os espinhos me doem bem aqui, num cantinho tão perfeito, e tão cansado de sofrer. Para curar a dor, eu lembro dos bons momentos que de alguma forma me lembram sua fisionomia, da perfeita sintonia dos ponteiros que tocam por dentro do ti... E espero as lembranças daquilo que ficou ou do que ainda há de vir.

 

 



 

 

 

 

Escrito por Anderson Mattos às 23h37
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Noite bucólica...

             Quando penso que acabou o meu cigarro, e que amanhã eu não verei quando acordar, seu olhar que tanto me tonteia eu sinto que a noite se torna longa, meus gestos sombrio e imagino que todas as demais sombras que me cercam não são suficientes para consolar o efeito que a tal ausência me faz...

            Chove há uma semana. Nesse momento eu levanto, pego wisque procuro sua imagem, e me deparo com a vaga idéia de que nem sempre por estar vivo, significa que de fato existimos.  Quanto tempo demora pro tempo explicar o tempo que em que o telefone irá tocar? Nesse momento, eu levanto jogo essa substância fora, e preparo um café. Exatamente nesse tempo, o telefone toca, eis que volta a esperança... Penso em tudo que vai ficar de mim!

            Eu não lembro a duração. O café está pronto. Coloquei-o no gancho. Fui até o armário e peguei a xícara. Dei boa noite. Dei uma golada. Você se despediu. Mais um boa noite... O tal do coração partiu!

            

 

Escrito por Anderson Mattos às 01h15
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